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afonsonunes

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20 Set, 2014

OS PIORES DE SEMPRE

 

 

Os caminhos para a democracia nem sempre foram fáceis. Tiveram mesmo momentos de alta tensão. Houve sobressaltos na transição da ditadura para a democracia. Mas, nem era de esperar outra coisa.

Enfim, chegámos lá: à desejada democracia. Hoje, estamos a percorrer de novo esse caminho, mas agora de marcha atrás. Se então avançamos em primeira, uma velocidade muito lenta, esta marcha atrás está a acelerar.

Avança com muitas dissimulações, com muitos profetas que prometem o paraíso mas, no mínimo, não conseguem mostrar mais que o purgatório. Exceções: os que já não saem do inferno e os que cristalizaram no limbo.

Houve alguém que pensou que o céu estava ali ao lado. Bastava que o povo elegesse um presidente e um governo que tivesse maioria na AR. Esse sonho concretizou-se. Passados quatro anos, o país está no inferno.

Temos um presidente que tem os mais baixos níveis de popularidade de sempre. Os portugueses mais vulneráveis, nunca o sentiram do seu lado. Nunca um presidente lhes foi tão hostil. E nunca o povo lhe foi tão hostil.

Temos um governo que nasceu de um duplo equívoco. Enganou-se a si próprio e enganou o país ainda antes de ser eleito. Insiste em continuar a enganar toda a gente. Faz jus à fama de ser o pior governo de sempre.

Temos uma maioria que rejeita tudo o que a compromete. Abusa na aprovação do que é mau para o país e para os portugueses, desde que satisfaça o seu egocentrismo utópico de que vai estar sempre protegida.

Temos uma oposição que, na sua diversidade, luta mais com questiúnculas entre si, que numa verdadeira oposição ao governo. Nunca os extremos se tocaram tanto, tal como nunca o centro esteve tão longe de olhar o país.

Daí se conclui que ninguém se entende, pois ninguém se quer entender. Todos receiam perder o apoio das suas claques. Em muitos casos, dos seus caciques locais. Já ninguém se demite, mesmo quando tem o rabo a arder.

E há quem viva na permanente obsessão de que os problemas se resolvem atirando culpas para trás ou para o lado. Esquecem que o país não pode ser reerguido pelos mortos, mas pelos vivos capazes de o fazer.