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afonsonunes

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António Costa, não, não é esse, é o diretor do DE, escreveu que é possível dizer hoje que a PGR Joana Marques Vidal tem o país nas suas mãos. No meu entender, isso só é possível a alguém de uma família de intocáveis.

Não é difícil compreender que alguém só é intocável, se tiver o mundo, ou o país, ou os cidadãos, nas suas mãos. Perante esse poder, não é possível a mais ninguém ser intocável. Mas ninguém diga que os não há.

Diz-se por aí que não há intocáveis, mas que os há, há. E isso causa-me uma enorme preocupação. E, sem querer, logo me vem ao pensamento aquele intocável juiz espanhol que dá pelo nome de Baltasar Garzón.  

Tanto se meteu com intocáveis que acabou julgado e condenado por outros juízes não intocáveis. Certamente porque se esqueceu de que a intocabilidade também tem leis e regras a cumprir. A que ninguém foge.

Disse o citado António Costa, que o futuro do regime dependerá largamente da forma como (JMV) vai exercer a sua função. Isto, julgo eu, já contraria a tese de que ela tem o país nas suas mãos. Porque depende.

Por contra ponto à família Marques Vidal, temos a família Soares, cujo clã, um dito intocável muito antigo, tem uma visão completamente diferente. Para ele, a atual procuradora-geral, não está a cumprir bem essa missão.

Nem ela nem o todo-poderoso juiz dos casos bicudos vindos de outros ditos poderosos, com os quais a justiça terá sido tão benigna em alguns dos casos. Mário Soares foi mesmo muito cáustico com esta justiça atual.

Soares é um jurista e está em sintonia com muitos outros especialistas na matéria, incluindo a bastonária dos advogados. Não se trata de gente intocável, mas que tem o direito de discutir com os mais intocáveis.

É verdadeiramente lamentável que nestes assuntos, como em outros, o poder tenha tendência a considerar-se indiscutível. Mostrem-se todos os argumentos claros e despidos de artifícios. E tomem-se decisões às claras.

Acabe-se com essa maldição dos intocáveis e dos poderosos, que só o são, por períodos mais ou menos longos. O período dos seus poderes efémeros. Depois, vêm outros. Eles mudam. O país continua sempre igual.