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afonsonunes

afonsonunes

19 Nov, 2016

Ou

 

A gramática dos políticos que também são politiqueiros e dos jornalistas que também são jornaleiros, anda muito por baixo. Julgava eu que essa gente tinha a obrigação de conhecer e interpretar corretamente o sentido das frases que determinam a expressão das notícias, desde as mais irrelevantes até às mais importantes na vida do país e dos portugueses.

Ou me engano muito, o que julgo não acontecer, e parece que não tem acontecido, ou o livrinho que define as regras da nossa língua, está a ficar inútil ou, pelo menos, perfeitamente dispensável. É que as calinadas e as broncas, ou passaram a ser as novas regras sem acordo, ou invadiram abusivamente a mioleira de muita gente ilustre, ou nem tanto.

É que, neste período novo da nossa adolescente democracia, ou demonstrações adultas de falta dela, estas duas letrinhas, ‘ou’, deixaram de ter importância literária, sendo primariamente suprimidas de textos ou declarações verbais de importantes instâncias do poder.

Ou então passamos para aquela etapa dos papagaios que se fartam de falar, mas não dizem coisa com coisa. Passo ao concreto. O Tribunal Constitucional deu um prazo à nova Administração Caixa Geral de Depósitos, para enviar as declarações de rendimentos, ou, repito, OU, contestar a obrigação de as apresentar.

E esse prazo, está longe de ter expirado. Portanto, até lá, ninguém pode, ou deve querer saber, aquilo que ainda não está decidido. Ou, que ainda não obrigou, nem os administradores, nem o governo, nem o TC, pois este, só depois de expirado o prazo de apresentação das declarações, ou julgar a validade da provável contestação, poderá agir definitivamente.

Ora aí está um ‘ou’ que faz toda a diferença. E que a sua eliminação do vocabulário utilizado pelo TC, dá toda esta barafunda verbal de gente que anda atrás de outros fantasmas, ou sensacionalismos que não interessam nem ao diabo, ou aos diabos.  

Ou agora, o governo e os governantes têm a obrigação de informar antecipadamente os ‘curiosos opositores’, daquilo que ainda não está decidido? A AR tem por missão fiscalizar o governo, mas não tem por missão forçar o governo a falar antes do tempo. Independentemente de pensarem o que vai ser bem ou mal decidido. Fiscaliza-se o que está feito e não o que ainda se não conhece.

Portanto, como diz o PR, esperem… A seu tempo se saberá. Mas esperem com paciência e não com ansiedades doentias. E lembrem-se no que deram tantas outras ansiedades catastróficas que deram no que se sabe.  

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