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afonsonunes

afonsonunes

15 Fev, 2014

OUÇA! PAPÉIS, EU?

 

 

Mas quem é que teve essa infeliz e desastrosa ideia de que eu tirei os papéis do arquivo para os levar para casa? Isso é uma calúnia submarina que só pode vir de quem anda a flutuar à superfície. Com coletes de papel.

Eu não flutuo, mergulho. E quando mergulho não posso levar os papéis. Está na cara que os papéis não se dão bem nas profundezas dos oceanos, ainda que bem guardados dentro do submarino. Há sempre humidades.

Além disso, juro solenemente que eu detesto papéis. Todos os papéis. Mesmo os que dizem respeito a grandes negócios. Toda a gente sabe que eu até já estou a tratar de reimplantar o Simplex, agora chamado, dois.

Em breve irei à Venezuela, já sem papéis de qualquer espécie, levando comigo muitos Magalhães para o Maduro de lá, e um abraço muito apertado do Maduro de cá. Ouçam, acabem lá com essa treta dos papéis.

Se os papéis desapareceram dos arquivos, só pode ter sido porque passou por lá algum socialista bem-intencionado, que só pretendeu dar uma arrumação àquela bagunça, julgando que ainda estávamos na era deles.

É sabido, mas que fique bem claro de vez, que eu não tenho preferências. Nenhumas. Para mim, socialistas, sociais-democratas, ou híbridos, é tudo igual ao litro. Só não quero que falem de papéis desaparecidos. Que coisa!

Até parece que pretendem insinuar que eu construo submarinos com esses misteriosos papéis. Ouça! Eu até gosto muito de ir ao fundo. Mas apenas para ter aquela sensação de vitória no regresso à superfície.

Mas, para já, deixem-me pensar tranquilamente na minha revolução da moderação. Ouçam! Este país precisa muito de ser todo moderado. É um pensamento irrevogável. Fica dito que em dois mil e quinze ficará feito.