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afonsonunes

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18 Jan, 2016

Papagaios

 

Papagaio é uma ave que tem a pretensão de falar como os humanos. Barrote é uma barra de tronco de árvore que tem a pretensão de opinar sobre os seus semelhantes. Ambos querem o mesmo: reviver o passado, combater o presente, impedir o futuro.  

É fácil verificar que os papagaios, se não sabem falar, também não ficam de bico calado. Logo, imitam o que ouvem. Com mais ou menos perfeição, mas do seu bico não sai nada que, de seu, diminua qualquer ave ou qualquer barrote ou gente raivosa.

Quando qualquer pessoa, Barrote ou António, chama Papagaio a quem faz o seu trabalho, esquece que, de há anos para cá, não fez mais que vomitar ódio, sabe-se que, só por puro ressabiamento, sobre quem não vende ao diabo as suas tristes ideias.

Barrotes é o que não falta por aí. Antónios, Josés ou Joaquins. Que, mesmo não se contendo nos seus desvarios palavrosos, nem sequer merecem o apelido de Papagaio, pois os seus esgares não têm o virtuosismo do bico de um simples e sóbrio papagaio.

António Barrote ou José Papagaio, mestres de pau e de madeira, ou mestres de antiguidades e ilusionismo, julgam-se credíveis santos de pregação, embora saibam perfeitamente que para se ser santo, mesmo de pau carunchoso, é preciso ter fiéis.

E para ter fiéis é preciso manter-se vida e ideias terrenas e pés bem assentes na terra. Ilusionistas, feiticeiros e quejandos, vivem no mundo parado e de sonho do irreal, quando a vida real é mudança, umas vezes para o mal, outras vezes para o bem. É isso.

Não adianta a lengalenga de carpideiras que assentaram arraiais no que já passou, não vendo o que já veio e está aí para durar muito ou pouco tempo. Aquilo que, de longe, é melhor, que o tempo que não deixou saudades. Para além dos Barrotes e Ilusionistas.

Porém, há uma diferença substancial entre eles. O António Barrote não é saudosista. É um dos muitos revanchistas para quem o passado foi uma longa frustração. O José Ilusionista é um caso incurável de saudosismo. Para ambos, o tempo não volta atrás.

Costuma dizer-se que não há duas pessoas iguais. Portanto, nada de querer comparar um Barrote com um Ilusionista. Mesmo que ambos sejam Papagaios, cada um a seu modo. Mas a dimensão do Barrote é incomparavelmente maior que a do Ilusionista.

Aliás, o ilusionista é apenas um papagaio que reproduz as vozes dos seus inspiradores. Agora, Marcelo. Que não quer ver gente dessa no seu caminho. E faz questão de dizer que gosta mais dos que o repudiam, que dos que lhe querem dar o que ele rejeita.