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afonsonunes

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Pepe jogou muitos anos em Espanha, mais concretamente no Real Madrid. Daí que os espanhóis o conheçam perfeitamente e um periódico do país vizinho publicou agora um artigo em que o coloca pelas ruas da amargura.

Os portugueses atentos a este fenómeno desportivo que é o pontapé na redondinha, como o classificam alguns doutores da modalidade, não desconhecem as tristes figuras que este ainda jogador da seleção nacional e do Futebol Clube do Porto, costuma mostrar em campo.

Virulento, violento, truculento, são definições do seu feitio que tantas vezes marca as suas atuações, tantas vezes com  consequências lamentáveis para os seus adversários. E não faltam  exemplos dentro da área de influência de quem lhe aceita essa faceta indomável. 

Há quem veja nele um jogador de raça, um corajoso, um jogador à Porto, um exemplo para todos os seus companheiros, que desde há muitos anos tem levado a equipa portista a beneficiar de uma complacência ímpar em relação ao nível disciplinar praticado no país.

Aquilo que se lhe louva é aquilo que frequentemente se verifica nos procedimentos de muitos adeptos, especialmente a sua claque, mas também os seus dirigentes todos ou quase todos tocados por essa tosca virtude de clubismo que contaminou decisivamente o futebol nacional.

É óbvio que sendo um vírus, transmite-se com muita facilidade e a propagação torna-se imparável, refletindo-se negativamente na vida do país, pois muitos setores dessa vida e até órgãos decisivos e a própria justiça, ficam amarrados a influências altamennte perniciosas.

O nosso futebol tem três equipas chamadas grandes, mas não é difícil reconhecer que, presentemente, são três grandes pequenos. E se nos voltarmos para o dirigismo clubístico, a pequenez é igualmente assinalável, bem como a arbitragem interna, que até faz melhor lá fora.

Depois, talvez pelo clima em que desenvolve a sua atividade, a imprensa desportiva, as televisões com os seus desbragados comentadores, criaram uma sociedade de quezilentos discutidores de futebol capazes de venderem a alma ao diabo em permuta de dislates.

As coisas estão de tal modo enraizadas no país que parece não haver já quem tenha a lucidez de ver que isto tem de parar algum dia. Tal como já houve avanços em alguns países. Quem não sabe ou não pode viver sem isto, deve ter mesmo a coragem de sair de cena. A bem do país.