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afonsonunes

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22 Fev, 2014

POBRE FMI

 

 

Não há ninguém melhor que eu. Dos que me aplaudem eu sou o líder incontestado logo, estou acima de todos eles. Dos que me criticam, porque eles não têm a força das minhas ideias, nem o meu faro político.

Os que já foram grandes, são agora cada vez mais pequenos, à dimensão dos argumentos com que me atacam. Como diz o meu pupilo e homónimo Pedro, os críticos não mais vão ter oportunidade de ter grandes carreiras.

Para se ser grande, tem de se estar comigo, mesmo sem me chegarem aos calcanhares. Veja-se o FMI. Foi grande comigo durante quase três anos. Agora criticou-me, caiu a pique. E está já completamente descredibilizado.

Foram quase três anos em que aprenderam muito comigo, especialmente, a elogiar-me. Dizem-me os críticos que o FMI disse agora as verdades. Se isso foi assim, eles andaram quase três anos a mentir-me. Ingratos.

Os ex-presidentes do meu grupo, são hoje pessoas vulgares que já nem têm cara para me enfrentar olhos nos olhos. Pelo contrário, veja-se como eu sou grande, um homem como deve ser, um político dominador. E sério.

Sou um verdadeiro social-democrata, talvez a tender para a dextra, daí que na Europa tenham atribuído a social-democracia portuguesa a uns canhotos irrelevantes que são tão inúteis como indispensáveis.

Os meus críticos querem discutir tudo, pensando que eu não sei nada. Mas os meus companheiros de todas as horas, não os deixam discutir nada connosco, e muito bem. Discussões são coisas de baixa política.

Resumindo e concluindo. O nosso grupo está agora perfeitamente coeso e à altura dos destinos do país. Só nos apoia quem tem um sexto sentido. O da esperteza. Tal como está o mundo, só os espertos como nós, se safam.

E espertos não faltam em todos os locais onde se come e bebe nas proximidades do Coliseu dos Recreios, entre sexta e domingo. Aquilo deve ser um sufoco. Depois, até são capazes de ir ao circo que passa lá dentro.

Quanto ao FMI e todos aqueles que agora lhe aplaudiram a viragem para a parvoíce, vão deixar de ganhar dinheiro comigo. O que mais há por aí é quem nos ofereça dinheiro. E ao preço da uva mijona. Pobre FMI.