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afonsonunes

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17 Mar, 2017

Porreiro pá!

 
José Sócrates teve este desabafo para Durão Barroso, no dia em que foi assinado em Lisboa, um importante tratado da União Europeia.

Hoje, e de há anos para cá, a vida não tem sido nada fácil e, suponho que não terá tido motivos para repetir aquela frase. Já os seus 'amigos' que com ele têm convivido nos meandros de investigações que já vêm de há mais de uma dezena de anos, também não têm tido vida muito risonha.

Sócrates tem a desvantagem de ser a caça e os seus observadores permanentes, os caçadores que não tiram a mão do 'gatilho'. E que têm ainda a vantagem de mostrar e, ou permitir, que Sócrates seja exibido, quase diariamente, como o troféu de caça desses tais 'amigos'.

É que o que se está a passar não é nada porreiro para ambas as partes. A coutada em que se desenrola esta triste 'caçada' parece um campo de tiro minado por todos os lados.

Sócrates tem um amigo que, dizem, é um amigo que já não tem razão de ser nos tempos em que vivemos. Dá-lhe milhões aos montes, mas esses milhões não aparecem em lado nenhum. Talvez ainda não tenham revistado a almofada da cama onde dorme, ou, quem sabe, se esqueceram de meter o nariz debaixo do colchão.

Porém, se tem um amigo desses que já não há, também tem os tais 'amigos' que lhe coartaram a liberdade de ter um ou mais empregos bons, que outros continuam a ter, impedindo-o de pagar as suas dívidas ao amigo que já perdeu o direito de o ser.

Como esta novela parece estar destinada a durar toda a sua vida, é natural que ele ainda venha a ter a satisfação de voltar a gritar 'porreiro pá', não para Durão Barroso, mas para todos aqueles que, por muito baterem o mato, possam vir a ficar a sangrar de tanto se terem arranhado.

Porque pode vir a surgir o dia em que alguém da fiscalização das atividades cinegéticas, ponha fim a este impasse que já só defende quem não pensa que isto lhe pode vir a acontecer, mesmo sem passar pelas imprevisíveis coutadas da vida.

E esse dia já está a ser perspetivado. Hoje, as vidas dos cidadãos já não passam apenas pelos desvarios do seu país de origem. São muitos os casos em que, lá de fora, vieram ordens que deixaram os caçadores a sangrar das feridas que os seus tiros provocaram nos seus próprios pés.