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afonsonunes

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02 Jun, 2015

PÓS E CONTAS

 

Às segundas à noite a televisão pública esmera-se para nos contemplar com uns pós de perlimpimpim, que nos deixam em condições de seguir para a caminha com o intelecto a transbordar de ciência política pura.

Depois, há a salientar os métodos ultra eficazes de nos pulverizar, ou empoeirar, à maneira da doutora Fátima, uma voz de sobreposição que corrige toda a espécie de baralhação que esteja a confundir quem ouve.

Só me espanta, e muito, porque é que, depois de milhentos programas de pós e contas, de milhentos de sumidades a empoar, de ‘milionentas’ horas de seca, ainda haja quem não perceba patavina de todos aqueles pós.

Talvez seja porque, além dos pós, também haja os contas. Contas que nem sempre resultam contra os pós. Ou os pós contra os contas. Na verdade tudo aquilo é uma baralhação. Ou uma barafunda. Exceto para a doutora.

Porque ela é a única mulher que sabe daquilo. O programa não precisava de mais ninguém. Aliás, todos os convidados só vão ali para tornar todos os assuntos mais confusos. Enquanto uns enrolam, os outros desenrolam.

Isto é, os pós enrolam sempre os contas. Porque contam com a ajuda prestimosa da doutora, não só através das dicas constantes, como da escolha dos elementos preponderantes das claques. É um vê se te avias.

Aquilo, quer se queira quer não, todas as semanas é um desafio de rivais profissionais, que mais não fazem, que puxar cada um deles, a brasa à sua sardinha. E andamos nisto há anos à espera que uns vençam os outros.

Mas é que nem sequer se verifica um empate digno, tanto para pós, como para contas. O resulta final semanal é sempre uma derrota para ambos os contendores. Mas tinha de haver um vencedor. A doutora, obviamente.

Quanto ao país, não é o facto de haver quem deite pós nos olhos dos espetadores, que as contas acabem por ser acertadas. Mas é que nem à martelada. Para os mais céticos, experimentem e tirem a prova dos três.

Pós, contas e doutora. A trilogia da continuação de uma luta, não contra a ignorância, mas a favor de um clima de embrutecimento, de confrontação, quase sempre um louvor à demagogia e à mentira. Acabem lá com isso.