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afonsonunes

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06 Abr, 2019

Primos e primas

 

Não se tem falado e escrito de outra coisa. Aquilo que vinha acontecendo há um ror de anos rebentou de repente e provocou outra coisa espantosa. Nem mais nem menos que uma algazarra inaudita e incontrolada nas televisões e jornais com a questão das relações familiares no seio do governo que, imediatamente se prolongou para toda a administração pública.

Os primos estavam, e legalmente estão ainda, fora dessa proibição, pois o próprio primeiro-ministro disse agora que o assunto devia ser esclarecido para se agir em conformidade no presente e no futuro. Entretanto o primo e o tio decidiram demitir-se. Suponho que ninguém era obrigado a demiti-los. Porque no passado não eram só os primos. Eram mães e irmãos e daí para baixo. Haja decoro e memória.

O Presidente da República optou por ver o problema sob outro aspeto, dizendo que a opinião pública estava agora mais exigente que no passado. É caso para perguntar se quis referir-se à opinião pública ou à opinião publicada, pois não é líquido que a opinião da generalidade dos portugueses coincida com os dislates que temos aturado nos últimos dias. Mesmo sem querer entrar em pormenores de juízo da questão.

Marcelo não é igual a Cavaco. Diz-se que Marcelo não é populista, no que diz e no que faz, porque é igual a si próprio. Ora isto é o mesmo que dizer que todos podemos desprezar as leis e os costumes só porque somos iguais a nós próprios. Porque há quem seja igual a si próprio nas virtudes ou nos defeitos. No respeito e no desprezo da legalidade. Ora Cavaco também é igual a si próprio, quando diz que nos seus governos não havia nada disso. Assim, Cavaco não é populista, mas falta despudoradamente à verdade.

Quanto aos partidos, bastaria dizer que estamos em período de pré-campanha eleitoral. Logo, vale tudo menos tirar olhos… por enquanto. De mentir descaradamente até às ofensas de carácter ou aos ataques pessoais, tudo vai acontecendo normalmente, como se tudo isso fosse mais importante que discutir os programas eleitorais de cada força política. Nesse aspeto até parece que todos eles são primos e primas uns dos outros, tal a confiança de linguagem que utilizam.