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afonsonunes

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26 Jul, 2015

PROJETORES

 

O político português que mais se bate pela presença frente às luzes dos projetores é, sem dúvida, Paulo Portas. Mas não gosta de os enfrentar com os olhos postos neles. De fugida, de lado, com a mão a tapar a boca.

Mas sempre com ar sorridente e cara de pouca vergonha. Não é que ele tenha pouca ou muita. O ar é que é mesmo de pouca. Talvez seja culpa dos camaras, que não encontram modo de atinar com o melhor visual.

Nem seria preciso dizer que o seu visual é ótimo. E a sua dicção impecável. Sabe na perfeição que a asneira tem o sem momento de entrar em cena. Para ele não é asneira, é entrar com tudo, mesmo com o que não tem.

É um fervoroso adepto da dicção silábica. Tenho a impressão que, para ele, é uma forma de impressionar o auditório. E também, uma forma de falar mais tempo, dizendo menos, se tiver pouco ou nada para dizer.

Na verdade, Portas fala durante muito tempo quando apresenta projetos. É tudo em grande. Mas, chegada a hora de apresentar a sua realização, sobre o assunto, diz nada. Diz o povo que fica tudo em águas de bacalhau.

Agora, há quem diga que ele é um político azarado. Tem ideias que se farta, mas o país já se fartou de colher desilusões das suas ideias. Mas há uma que ele concretizou. Queria ser vice ou primeiro. Lá chegou a ser vice.

A grande tarefa que abraçou de alma e coração, foi a célebre reforma do estado. Na verdade nem ele próprio se reformou. Mas, mais uma vez, teve o azar de ter deixado em estado de sítio, tudo aquilo em que se meteu.

Tal como os companheiros e o chefe do governo, tem feito apenas a apologia das desgraças do passado. Esquecem as desgraças do presente. E esquecem o que prometeram, e falharam, deixando um país bem pior.

E agora, na hora da verdade, continuam a dar muito mais importância à luz dos projetores, que à luz da verdade em que deixam os seus falhados projetos. Até parece pensarem, sem o dizer: quem vier que feche a porta.