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afonsonunes

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23 Nov, 2014

QUALQUER DIA

 

O juiz Rui Teixeira ficou na galeria de honra da coragem e da ousadia por ter ido buscar o deputado Paulo Pedroso à Assembleia da República, acompanhado de um batalhão de repórteres e câmaras de televisão.

O corajoso juiz perdeu-se nos meandros da justiça e o seu quadro de honra deve ter tido igual sumiço. Passados muitos anos, poucos imaginariam que era possível repetir cenas dessas, mas no aeroporto.

Não só no aeroporto depois das dez da noite, mas no dia seguinte pelas ruas de Lisboa. O alvo de todas essas correrias e excitações, só podia ser alguém que toca sensibilidades muito contraditórias. E muitos ódios.

Um criminoso, por mais odiento que fosse, não conseguiria tais delírios de tão repugnante exibicionismo. Parece mesmo que só o nome do detido seria capaz de merecer tamanho espetáculo. Nunca por causa do perigo.

O perigo está precisamente no hábito da repetição destas humilhações. Com o mesmo humilhado, deve ser muito difícil, quer o absolvam, quer o condenem. O futuro herói ou vilão, nunca mais será o mesmo. E a justiça?

Dificilmente a justiça arranjará outro artista com tanta junção de aptidões para o espetáculo. Na Assembleia, não. No aeroporto, difícil. É bom saber que ainda há pior. E se qualquer dia se lembrarem de ir a S. Bento?