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afonsonunes

afonsonunes

 

Estava tentado a dizer que mais gostas de mim, contradizendo embora, o sentido do dito popular, que põe o gosto pela pancada em quem a leva. Mas tu, criatura, adoras bater em quem te realiza.

Que serias tu, se não tivesses um bombo de festa que te ocupa e te entretém. Quem tão bem se sente realizado como tu, não pode ser contrariado, sob pena de se cometer o hediondo crime de violência.

O teu bater tem graça, até porque é um bater sem dor, que mais se assemelha a um ato de amor, geminado com um sentimento de culpa por não sentires uma retribuição conseguida com a verdade real.

O meu papel nesta badalada toda, é de simples intérprete de uma relação que parece de amor e ódio. Mas o ódio ficou lá fora, porque eu não gosto dele, repudio totalmente falar dele, mesmo do alheio.

Mas não ignoro que ele é o ópio de muitos justos, sinceros e amantes daquela verdade que já não se usa. Daí que o badalem, não aos quatro ventos, mas aos quatro-cantinhos das suas efabulações.

Quanto mais me bates mais gosto de ti. Quanto a ti e aos teus bons princípios, só me ocorre que quem desdenha quer comprar. Sim, comprar a simpatia que julgas obter por essa via. Mas olha o desdém.

Não sei a que propósito me veio hoje esta veia de badalo. Não tinha nada, nadinha mesmo, para que estes amores, com ou sem pancada, com gostos ou desgostos, fossem motivo de tanta badalada.

Daí que vá dormir de imediato, pois já estou com receio de que tenha escrito isto com os olhos semicerrados. Ou que tenha, caído em alguma efabulação degenerada. Sem ter nada a ver com isto.