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afonsonunes

afonsonunes

 

 

Pressinto que já lhes falta coragem para falar dos outros. Principalmente, do outro. Estou a lembrar-me de que dizem que a justiça tarda, mas não falta. Aqui não faltou, porventura, terá até excedido todas as espectativas.

Com a quase certeza de que a procissão ainda vai no adro. Foram muitos anos a esconder, portanto, é natural que também vá levar tempo a encontrar. Os segredos também se desvendam, apesar de bem guardados.

É espantoso como tudo ruiu de um momento para o outro. Como tudo o que empurraram para o vizinho lhes inundou a própria casa. Uma enxurrada devastadora que pôs à mostra o que nunca mais se vai limpar.  

Aqui, como sempre e em tudo, não tem sentido assobiar para o lado. Ou, atirar pedras ao ar quando se tem telhados de vidro. O tempo, este tempo de bota abaixo, já não se estanca com esforços truculentos e choradinhos.

E agora, que mais lhes irá acontecer? Tudo de bom, certamente, no que toca ao seu modo de vida e à sua capacidade de se reinventarem. Eles são tantos que, nas suas lamentações e lamúrias, consolam-se uns aos outros.