Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

12 Set, 2016

Quo vadis láparo

 

Para onde vais láparo, tão mal-acompanhado, tão fraco de pernas para fugir da triste sina de um filhote com quem já nem os coelhos verdadeiramente adultos se preocupam com as deambulações por veredas perigosas pejadas de atiradores implacáveis.

Até os mais altos conselheiros e orientadores estrangeiros se vão distanciando do caminho que o triste láparo escolheu no convencimento de que a sua sobrevivência está muito longe da normal integração na sociedade que evoluiu para rumos bem diferentes dos tomados pelo láparo errante.

Fora do forte domínio merkeliano que o láparo e os seus laparinhos inseparáveis ainda não renegaram, vê-se agora a braços com conspirações de muitos daqueles que fizeram dele um coelho crescido com pernas e cabecinha de láparo. Agora já todos os seus melhores conselheiros antigos são, para o láparo, um conjunto de traidores que lhe voltaram as costas. Porque estão todos errados. Porque só o láparo e companhia se mantêm no rumo certo.

Por cá, o bom amigo Goldman anda metido num reboliço que mal sabe como livrar-se da trapalhada em que se meteu. Logo, já não tem tempo para perder com o láparo. A D. Suópes, tal como o companheiro Goldman, também já não acerta uma das que ainda vai dizendo.

Depois, há aquele monte negro da assembleia que cada vez mais se revela como a mente negra do grupo. Em lugar de ajudar o láparo desorientado, parece querer evoluir para um coelho corpulento, mas com cabeça vazia que só apresenta orelhas a condizer com a grandeza que se atribui.

Contudo, o que mais está a faltar naquela coelheira sem ideias concretas de fuga com saltos coordenados para uma vida decente através de línguas lavadas e controladas, é a falta do companheiro e fiel amigo que até com os seus silêncios conseguia proteger toda aquela comunidade. Mas esse foi-se.

E o pobre láparo vai ficando cada vez mais só. Parece caminhar mesmo para o abandono, com a consequente solidão à vista. Será talvez o único que não conseguirá um convite monumental. Resta-lhe voltar aos braços daquele que foi o seu primeiro encosto profissional. Porém, até esse já terá dado sinais de que o tempo não anda para trás.    

Então, quo vadis coelhito?