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afonsonunes

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19 Jul, 2019

Recorrentemente

A gente percorre qualquer fonte de notícias, (ou chatícias, como já lhe chamou Ricardo Araújo Pereira num excelente artigo de opinião publicado na revista Visão) e deparamos com juízos terríveis sobre decisões de pessoas e instituições ocorridas há vários anos.

Decisões que foram tomadas em circunstâncias de excecionalidade, quer quanto a factos já de si excecionais, quer quanto à rapidez e urgência com que tiveram de ser tomadas, até pela pressão social e mediática que logo determinou essa rapidez, quase sem dar tempo a pensar para agir.

Passados vários anos, responsáveis pela divulgação das tais ‘chatícias’, levantam dúvidas e tecem acusações sobre quem teve de atuar em cima dos acontecimentos para evitar mais danos que os já provocados. E são os mesmos que se desunharam porque não se foi suficientemente rápido.

Depois entram os departamentos de justiça com o seu habitual passo de caracol, com investigações de anos, relatórios de milhentas páginas, pressupostos baseados em longas buscas à legislação aplicável, audição de testemunhas que pouco ou nada viram mas contando com muitos interesses à mistura.

Nada em favor dos ‘condenados’ é aceitável. Nada do que dizem tem validade perante a onda avassaladora. Nada do seu currículo, muitas vezes intocável, da sua dedicação às populações que os elegeram ou estimaram ao longo de vidas impolutas e sacrifícios vários, tem ali lugar.

E é assim que decisores desses, apanhados por catástrofes imprevistas, são atirados para a lama da justiça popular, para a condenação na praça pública, para o mar de veneno onde os pasquins pescam grandes parangonas, inventadas ou sugeridas pela pior espécie de desinformação.

Depois fala-se muito de corrupção. Como se os corruptos estivessem logo, desde o início, predestinados a esse anátema sem que os factos fossem apurados, confirmados e julgados. Como se entre os que acusam, divulgam e condenam previamente, não pudesse haver corruptos.

Mas, no meio de tanta confusão justicialista a que se tem assistido ao longo dos anos, instalou-se a convicção quase generalizada de que a pior corrupção é aquela que anda escondida na perseguição aos alvos que incomodam ou incomodaram grandes interesses bem instalados.

Que não haja dúvidas de que vivemos num país pejado de criminosos que se passeiam por todos os setores de atividade. Provam-no os casos que diariamente são detetados e provados. Mas dos quais, muitos ficam pelo caminho, por artes mágicas de bons defensores e de bons amigos.

E os bons defensores e os bons amigos têm várias origens e ocupações. Algumas bem elevadas, geralmente vocacionadas para essas latitudes. E nesse vasto campo não entra a corrupção, nem tão pouco a ganância e a acutilância dos pasquins que, a esse nível, não ‘chaticiam’ nadinha.

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