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afonsonunes

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22 Abr, 2017

Regressos


Relvas voltou ao seu relvado, tendo sugerido a Passos Coelho que se sujeitasse a eleições diretas no partido de que um foi e quer rapidamente voltar a ser comandante, e o outro ainda é presidente. Com a frequência de notícias que o pôem na porta de saída, não se sabe por quanto tempo resistirá a uma retirada estratégica semelhante àquela a que se sujeitou Miguel Relvas.

Miguel Relvas que foi o grande comandante de Passos Coelho, sendo o seu maior conselheiro, o executante das ordens do produto do seu investimento e o beneficiário do esforço continuado numa promoção que acabou por passar do grande comandante, ao mais sacrificado, depois de tanto trabalho. Assim, o promotor acabou despromovido mas, o que lá vai, lá vai, e agora, o sacrificado parece ser Passos Coelho.

Muitos dos nossos heróis têm o destino marcado. Depois das asneiras, burrices e outros atos de heroísmo, vem um período de descanso, mais ou menos prolongado, mas é inevitável, eles regressam ao palco de que não prescindem. Começam por andar à volta, espreitando como vão as coisas, as suas coisas, e aí os temos em grande, convencidos de que o pagode que lhes deu tudo, não é capaz de lhes tirar nada.

Hoje, sem surpresa, reparei que Paulo Portas estava a falar como o fazem os talentosos e imorredoiros políticos da nossa praça. Estava exatamente na TVI, suponho que como comentador das eleições presidenciais em França. Não perdi tempo a ouvi-lo, pois já bem me bastou o tê-lo aturado tanto tempo, como dono do seu partido e como co-dono do governo que está bem na memória dos portugueses. Uns como seus seguidores fiéis, outros como vítimas dos seus tempos de glória.

Mas que grande tema para que Portas transmita aos portugueses as suas brilhantes ideias políticas. Talvez esteja a pensar em aconselhar os franceses, numa próxima intervenção, a encontrar a sua geringonça, tal como tão sabiamente cognominou a solução de António Costa para o nosso país. Nem ele, Paulo Portas, sabe como o seu brilhantismo ficou célebre por, tão certeiramente, ter feito corresponder os seus desejos, ao sucesso da ´sua´ geringonça.

Aí estão pois dois regressos pelos quais os portugueses ansiosamente esperavam. Quem sabe se não serão eles os próximos sucessores dessa geringonça que eles próprios pretendem puxar, para sucesso do país e deles próprios, obviamente.

Propositadamente estive a alinhavar esta algaraviada durante o incontornável acontecimento nacional que ainda decorre no Estádio de Alvalade e que tem o país paralizado durante mais uns minutos. Entendi que o meu tempo e a minha paciência ficavam gastos mais ao meu gosto, sentado aqui, teclando calmamente, pois o que se passa lá fora, não é digno de prender sequer a minha atenção.