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afonsonunes

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20 Jun, 2014

RESIGNAÇÃO E LATA

 

 

Eu não me resigno e vou continuar a dizer que se entendam já, porque mais tarde pode ser cedo. Perdão, se calhar fica melhor escrever que se entendam cedo, porque depois pode ser tarde.

Eu digo estas coisas porque me escasseiam assuntos para continuar ativo. Se parar, dizem que já estou moribundo e isso é coisa que não me entra sequer na pensadura. Eu falo, logo existo. E falo bem.

Eu não me resigno. Por isso vou continuar a insistir para que se entendam. Eu não tenho que me entender com ninguém. Eu digo sempre o mesmo. Porque não tenho que fazer nada, como sempre.

Às vezes até me apetece dizer, como o outro: mas que grande lata. Então, no meio da bancarrota, ainda queres dar bodo aos pobres? Como se a gente não visse que só há bodos para os endinheirados.

Mas, sinceramente, eu que não sou de cá, já me cheira mal esta conversa da bancarrota, ou da perseguição de interesses privados. Agora sou eu que digo: mas que grande lata! Olhem-se ao espelho.

Mas quando é que eu tenho juízo? É evidente que sou eu que estou vesgo. Sou eu que gosto de falar de bancarrotas criadas pelos meus desvarios. Ou será que eu queria dizer desvios? Já estou baralhado.     

Apesar disso, não resigno, porque não sou o único. Estou convencido que, se eu estou baralhado, há quem esteja descontrolado. E não se resigna, nem resigna. E há quem tenha a lata de andar à deriva.