Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

05 Out, 2015

RICO TRABALHINHO

 

Logicamente que quem ganha festeja e ao assistir ao fim da noite eleitoral quase me apeteceu festejar também. É que os entusiasmos, os risos, os abraços, as gracinhas e as graçolas contagiam quem assiste às festas.

Não andarei longe da verdade se disser que todos festejaram. Nada de anormal, pois é costume antigo, no fim, todos os partidos considerar que ganharam. E, bem vistas as coisas, concordo que desta vez assim foi.

No entanto, não entendo bem as interpretações dadas por todos os vencedores. A coligação ganhou, é verdade. Mas perdeu tudo aquilo que a tem sustentado. O rico trabalhinho que teve e que agora terá de concluir.

E, ao que parece, vai ter agora de pedir batatinhas a alguém. Alguém que sempre ignorou que existia, e que sistematicamente menosprezou. É pois natural que lhe diga hoje: obviamente, desenrasque-se, como sempre.

Os outros vencedores, estão naturalmente eufóricos. Não ganhou quem eles queriam que perdesse. Porém, sem aquele que perdeu, vão continuar a ter de se sujeitar a aguentar o que não querem, para ter o que precisam.

Não é de acreditar que quem tanto se opôs ao rico trabalhinho conseguido com tanto esforço e inteligência destes últimos quatro anos, vá agora ajudar, com a sua vidinha tratada, a concluir o tal trabalhinho.

Mas, entretanto haja alegria. Quem se instalou comodamente no poder, ou fora dele, não quererá agora pôr seja o que for em risco. É caso para dizer, aguenta que é serviço. Ri-te, ri-te, quando souberes como é, até…

Mas, ainda bem que ninguém chora depois de tantos dramas e comédias passadas. Agora, vem aí a governação em tempo de vacas gordas, passados que foram os tempos de magríssimas. E tudo acabou em bem.

Até ao grande perdedor saiu a taluda de não ter de passar pela prosperidade que aí vem. Ele não a merece. Mas tem a felicidade de ter proporcionado ao país o que ele não teve nos últimos quatro maus anos.

Se o perdedor tivesse o azar de ter ganho agora, o país estava tramado. Assim, é o que todos nós sabemos. E os que não sabem vão ficar a saber. Certo é que nos resta a benemérita ação de quem sabe perder pelo país.

Apesar de ter apresentado o seu trabalhinho a rondar a perfeição. É de esperar que o tenha registado no notário. Nunca se sabe se não vem alguém surripiá-lo para acabar o trabalhinho de que tanto nos tem falado.