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afonsonunes

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16 Jun, 2014

SALVOU-SE A FESTA

 

 

Havia a quase certeza de que Portugal ia dar uma lição de futebol à Alemanha, em jeito de desforra pela derrota que a Alemanha infligiu a Portugal, quando nos impôs muitos dos sacrifícios da crise.

No entanto, Portugal está habituado a fazer festas e não prescinde delas. Começa mesmo a festejar muito antes dos acontecimentos. Lança os foguetes e apanha as canas, já que depois, vêm as lágrimas.  

No final desta estreia do mundial, ouviram-se muitas vozes dizendo que era preciso levantar a cabeça. Talvez porque Pepe a baixou demais, acabando mesmo por perdê-la. E Patrício nunca a usou.

Mas, do mal, o menos. A festa estava feita. O país há muito que se divertia com a vitória antecipada, tal como os maiorais. As televisões embandeiraram o país e os comentadores excitaram os adeptos.

A Alemanha mandou a chanceler a ver o jogo, para que ninguém se distraísse. Portugal mandou um ministro de cachecol ao pescoço. Mas que frio. Começou logo aí a vitória da poderosa Alemanha.

Para contrariar esse poder, Portugal devia ter mandado Passos, Portas e Cavaco. Passos para calar Merkel, Portas para cativar o público com o seu sorriso e Cavaco para acordar o Cristiano Ronaldo.

Para nos confortar deste desaire, resta-nos a esperança, a tão propalada esperança, que vinha do Arena Fonte Nova, de S. Salvador, de que a crise não se agravou, pois até foi amenizada pelas festas.

Depois, conforta-nos ainda a ideia de que se trata de uma crise ibérica. E face ao desastre espanhol frente à Holanda, Portugal não podia deixar de se solidarizar com o nosso vizinho. Ficou-lhe bem.

Portanto, não há motivos para deixar de festejar. E o próximo jogo é já no domingo. Nem é preciso mudar a tática, nem é preciso mudar de política. É preciso é continuar a festejar. Interromper, nunca.