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afonsonunes

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15 Set, 2014

SAUDE A MAIS

 

 

O país não tem saúde a menos, como alguns intriguistas pretendem fazer crer. Pelo contrário, o país tem saúde a mais. Se não tivesse tanta saúde, é óbvio que não estaria tão encalacrado com as dívidas que o mantêm.

Até aqueles indicadores que dizem o que se fez há anos, mudaram os seus efeitos para os mais recentes. Hoje, dia em que o SNS faz trinta e cinco anos, fica a saber-se que agorinha é que está mesmo no ponto. De morrer.

Sim, o que sabemos é que tem morrido pouca gente agora, porque morreu gente a mais no passado. Vai muito menos gente aos hospitais agora, do que ia no passado. Pois, as pessoas preferem morrer em casa.

Ao menos morrem em paz. Nos hospitais, aquilo é uma confusão. São tantos os médicos e os enfermeiros que não largam os doentes um momento que seja. É que nem têm tempo de rezar as últimas orações.

Resultado: as estatísticas que só eu conheço, revelam que as pessoas que morrem em casa têm muito mais probabilidades de ir para o céu, que aquelas que morrem nos hospitais. Vão muito mais puras e tranquilas.

Hoje em dia, morrer a tempo e horas, não é só um imperativo de consciência, mas uma obrigação moral. É uma questão de solidariedade para com os filhos e netos que, assim, ficam com o futuro assegurado.

Estou a pressentir que é melhor acabar com esta conversa, senão ainda se pensa, se é que não se diz, que eu sou como os outros. Os que julgam que hoje é dia de finados e não dia de aniversário do nascimento do SNS.

Porém, esta confusão de julgar, ou não julgar, que dia é hoje, tem algum sentido. Já há quem vaticine que estas comemorações vão simplesmente mudar de data. Acabar não. Podem é passar para o dia dois de Novembro.

Mas há uma coisa que eu, nem de longe nem de perto, pensaria agora. É que o SNS não vai comemorar aniversários por muito mais tempo. Vai. Ai vai, vai. Só que serão muito menos pessoas e mais novas, a comemorá-lo.

Das outras, não vai rezar a história. Tiveram o seu tempo de vida encurtado mas com a consolação de terem tido um tempo de vida mais útil. Com o generoso reconhecimento de quem lhes deu uma vida melhor.