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afonsonunes

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O jornal O Jogo, conotado com o FCP, publicou ontem uma capa em que se lia em grandes parangonas, Sexta-feira gorda, a propósito do Sporting/Benfica em Alvalade e do Porto/Braga, no Dragão.

Para o jornal, este título não era ingénuo. As possibilidades de uma derrota do Benfica e a quase certeza de uma vitória sobre o Braga, deixaria o Benfica na liderança, mas apenas com a magra vantagem de um ponto. Os antecedentes ajudavam a estas previsões

Sexta-feira gorda e sexta feira-magra. E foi isso que aconteceu, mas completamente ao contrário: da vantagem de um ponto desejada e dada como quase certa a norte, apareceu uma vantagem de sete pontos.

Mas sexta-feira gorda também por aquele espetáculo escaldante de um estádio a assistir a um festival indecoroso de tochas e outros objetos incandescentes a arder sobre o relvado, onde apenas se devia jogar à bola.

Obviamente que isso obrigou a interrupções do jogo, com aquelas consequências nefastas para jogadores, árbitros, adeptos dignos desse nome e amantes do futebol, desses que ainda o levam a sério.

Não é espetáculo inédito porque já foi visto em vários estádios e cada vez com mais frequência, sem que isso motivasse medidas sérias, para além das mornas palavras de condenação verbal de ocasião.

Parece que, finalmente, o governo se mostrou disponível para receber a Liga de Clubes na próxima semana. Já é muito tarde. Mas ao menos que ambos se foquem no problema sem interferências absurdas que têm impedido a limpeza geral que se impõe a todos os níveis do futebol.

Tradicionalmente, para quase todos os meios de comunicação e seus comentadores, dos mais conceituados aos menos considerados e menos conhecidos, o Benfica, mesmo ganhando, deixa sempre neles aquele amargo de boca, para não lhe chamar frustração verde e azul.

Pelo contrário, esses mesmos comentadores salientam sempre as virtudes do Porto e do seu treinador, mesmo exibindo fracas prestações e frequentes dificuldades em conseguir a vitória pela margem mínima.

O futebol português está inquinado e, sobretudo nas televisões, com os seus programas desportivos irracionais, onde impera o ódio, a arrogância, a violência verbal, o insulto e as ofensas pessoais gratuitas.

Perante tudo isto, a justiça desportiva e a justiça judiciária dão cobertura à mais incompreensível impunidade que, tal como no governo, as pessoas que nelas e nele se integram, são adeptos e ou suportes dos abusadores dos clubes que lhes dão votos e popularidade.

As coisas estão neste pé de anormalidade tal, que já não são as entidades referidas por si só, que vão solucionar nada. A gravidade é tal que se me afigura que só integrando o problema no mau funcionamento das instituições, daria motivo a que o Presidente da República tomasse a iniciativa de determinar medidas concretas para lhe colocar o devido fim.