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afonsonunes

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Como temos quase tudo, não nos falta quase nada. Temos excelentes fraseadores que nos deleitam com o seu humor quase vermelho, mas que deixam os seus leitores extasiados num mar negro de insídia e veneno.

Temos geniais criadores de títulos apelativos que transportam sonhadores para o mundo de uma felicidade de uma só banda. Onde há os que a merecem e os que nunca a podem vir a ter. Estes, para proteger aqueles.

Vivemos num mundo em que há geringonças e cangalhos. Geringonças são coisas simples, mas que podem tornar-se muito úteis quando as inteligências inúteis não foram capazes de inventar melhores cangalhos.

Temos grandes inteligências que só têm servido para encher o país de cangalhada. Logo, acabaram por se tornar os cangalheiros do país. Deste país que temos hoje, parado, odiento, onde nem a geringonça funciona.

Os cangalhos emperram tudo. As inteligências funcionam apenas a horas mortas. Umas, movidas por ideias geradas no silêncio da noite, depois de muito forçadas. Outras, depois de atingido o gáudio de supremas risadas.

Obviamente que para se atingirem esses níveis de produtividade, nem sempre as energias naturais são suficientes. Pois, mas hoje há geringonças para quase tudo. Até para pôr os cangalhos a funcionar na perfeição.

Uns são alimentados com combustíveis diversos, outros, simplesmente, com o ar enriquecido que respiram. Uns, inventam uma por noite, outros servem-se, orgulhosamente, uma vez por dia, dos bons inventos alheios.

Efetivamente, já nos falta muito pouco para termos tudo. Falta só o quase. E o quase é aquele bocadinho de coragem para nos deixarmos de tretas de ‘geringonceiros’ e enfrentarmos a vida sem a cangalhada do costume.