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afonsonunes

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30 Mar, 2015

SOCRATIZANDO

 

Se eu não estiver errado, socratizando é o gerúndio do verbo socratizar. Verbo que atualmente volta a estar na berra, embora seja conjugado por quase toda a gente. Mas, a sua descoberta, pertence-me todinha. Pois…

Nem seria necessário dizê-lo, pois toda a gente sabe que socratizar é falar de Sócrates. Hoje dispus-me a achegar mais umas coisas às muitas que correm por aí. Juro, não fui buscá-las a nenhum jornal da especialidade.

Tem-se socratizado muito com os amigos, com os familiares, com os camaradas, com os professores, etc. e tal. Mas há um aspeto que ainda ninguém referiu. Contudo, mais uma vez, sou eu a inovar, como só eu sei.

Sócrates tem um cão, uma gata e um papagaio. O cão é um correio manhoso quando ladra. E ladra todos os dias logo pela manhãzinha, muito cedinho. A gata limita-se a miar de vez em quando. O papagaio será ele.

A relação entre eles é um espanto. Imagine-se que eles comunicam noite dentro, quando toda a gente dorme. O papagaio, está na cela, o cão e a gata estão em casa do papagaio. E comunicam, dizem, como fantasmas.

Só assim se explica como todos sabem tanto da vida uns dos outros. E, claro, a justiça aproveita-se da situação. Só ninguém percebe tanta segurança à volta da casa e da cela. Os polícias não seguram fantasmas.

Seguramente que o papagaio não é um fantasma: é fantástico. Direi mesmo que é um fenómeno. Ora digam-me lá, como é que um simples papagaio domina a vida de um país tão grande e tão belo como Portugal.

Por enquanto o papagaio só fala. O cão e a gata ouvem e gravam. Depois, sei lá como, os sons, as conversas, aparecem cá fora. Há medida que o tempo passa, a voz do papagaio sobe enquanto, cão e gata se repetem.

É claro que tudo isto depende do solstício e da manha. O papagaio continua na cela porque o vento não muda, a justiça é surda e o papagaio não sai. Mas já há quem esteja convencido de que não tardará a cantar.

Tudo leva a crer que a primeira canção em liberdade, será aquela do Carlos Mendes, ‘E o vento mudou’. Mas, com uma alteração: ‘E ela não voltou’, será substituído por, ´E ele já saiu’. Mas a bicharada continuará.

Foi esta a melhor maneira que encontrei para entrar na onda da socratização. Com os cães a ladrar por contágio, pois quando ladra um, logo ladra uma matilha. E as gatas gritam no desespero do seu solstício.