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afonsonunes

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Está muito difícil conviver com tanta irresponsabilidade de quem, nesta pandemia, fornece tantas oportunidades de ataque a uma sociedade medrosa, assustada, frágil e em muitos casos com gente, famílias inteiras, sem o mínimo de sustentabilidade, para lá da caridade pessoal ou de várias instituições.

Sem qualquer espécie de dúvidas essa irresponsabilidade vem de pessoas que vivem permanentemente num estado de ódio contra todos os organismos públicos, contra todos os responsáveis políticos no poder ou na área próxima dele, deslizando mesmo para a marginalidade e o crime, por atentados às leis que regulam o país.

Esse ódio, em muitos casos, é mesmo evidente em cidadãos conhecidos pelos seus atos criminosos repetidos, pelos seus discursos rancorosos pejados de mentiras e pelos seus comportamentos ilegais, sem que haja a correspondente actuação das entidades a quem compete zelar pela segurança dos cidadãos e pelo cumprimento das leis vigentes.

Começando pela pandemia, é fácil e simpático da parte de quem diz que os portugueses são cumpridores, acatam bem o cumprimento dos seus deveres e respeitam os direitos dos seus concidadãos. De um modo geral sim. Mas há responsáveis que parecem ignorar que há os outros, os que tudo fazem para que tudo corra mal.

Até certa altura, as pessoas que tinham mesmo de andar na rua, usavam máscara e evitavam entrar em contacto com os outros. Agora, principalmente os jovens, não ligam nenhuma a isso, desdenham de quem liga e uma boa parte de quem anda na rua, mesmo gente de risco evidente, usa a máscara apenas pendurada bem abaixo do queixo.

Os ajuntamentos, as reuniões, os convívios, as festas, são escandalosamente atentados à saúde própria e alheia, para além dos custos que contribuem para que o país fique cada vez mais vazio de recursos. Urge que se fiscalize, que se faça cumprir as normas sanitárias, punindo e responsabilizando os transgressores. Sem contemplações.

De igual modo, os criminosos incendiários já começaram a mostrar que o verão é o seu ambiente preferido para tentar mostrar que tudo está mal no combate aos incêndios. E logo as matracas do costume se atiram aos governantes, acusando-os de não terem aprendido nada com o passado. Quem não aprendeu nada foram essas diabólicas matracas.

Diz-se que tem de se acabar com esses trágicos acontecimentos. Mas não dizem que tem de se acabar com os criminosos que não dão tréguas dia e noite, em complicar as tarefas de quem não dorme para os evitar. Alguns são presos, mas não são notícia. Se chegam à justiça, logo voltam àquilo que sabem fazer bem, talvez bem pagos por alguém.

E volto a um tema que já tenho abordado várias vezes. O futebol e a justiça, duas coisas diferentes mas que aparecem juntas como se não pudessem viver uma sem a outra. Também agora nesta pandemia é surreal como se permite tanta conversa virulenta, tanto silêncio pela falta de processos a uns e pela estranha insistência deles a outros.

O futebol e a justiça mais parecem um manancial de pandemias, onde há muita hipocrisia a espalhar cortinas de fumo, muitos grandes e pequenos gangs  que vivem da impunidade dos mais fortes no jogo das influências e de falsas denúncias para se manterem resguardados nos seus redutos nunca atingidos por quem tanto entra nos dos outros.