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afonsonunes

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O dia de hoje não é o dia dos Teixeiras mas estou certo, ou pelo menos, prevejo, que não tardará a comemorar-se o dia dos Teixeiras. Não sei bem porquê, mas é cá um palpite que me faz tocar todas as campainhas.

Certamente que não sou só eu a tentar lembrar-me de quantos Teixeiras conheço. Mas, nem todos, evidentemente, vão ficar para a história do país. Mas todos, ou quase todos, vão deixar histórias para mais tarde.

Pois, para mais tarde serem contadas aos nossos netos e bisnetos que, nos tempos vindouros, gostarão de ouvir episódios, anedotas, cenas de coragem e cobardia, aos quais, nos dias de hoje, ninguém liga nenhuma.

Não quero dizer com isto que os nossos netos e bisnetos venham a ser mais espertos e inteligentes que nós. Não, pelo contrário. Só que nós, hoje, não ligamos a coisas fúteis. Eles, entretanto, só vão ligar a essas.

Porque isso será a história para eles. Nesse tempo já não haverá Teixeiras. Mas haverá o dia dos Teixeiras. Porque, então, não se dirá que recordar é viver. Mas vai dizer-se que viver, não é como no tempo dos Teixeiras.

A verdade é que tenho estado para aqui a engonhar, para ver se me lembro do primeiro nome dos Teixeiras mais falados. Mas em vão. Já adotei aquela tática de ir pensando, José Teixeira, Mário Teixeira, Rui…

Quando passei por Aníbal, Paulo ou Pedro, ainda tive uns indícios de lembrança, mas não deu nada. E fui de A a Z. Mas que trabalheira. Tenho a certeza de que haverá quem tenha melhor performance que eu. A pensar.

Que ninguém vá pensar que eu estou a insinuar que os Teixeiras são todos uns santos ou uns malandros. Não. Também há Teixeiras como eu. Vulgares de Lineu. Mas não há, penso eu, maior virtude que a vulgaridade.

Aquela vulgaridade que nos leva a pensar que toda a gente é tão vulgar como nós. E é assim que o mundo e o país são paraísos de gente fixe e sincera. Que não é capaz de fazer uma simples asneirinha. Nem pensar.

Afinal, ninguém pode falar em ‘teixeiradas’, com a consciência de que está no seu perfeito juízo. Basta ir ao dicionário para verificar que isso não existe. O mesmo acontece com ‘teixeirices’. Isto até me magoa o ouvido.