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afonsonunes

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Os tempos difíceis que o país e o seu governo atravessam são cada vez mais evidentes. Mas agora com a diferença de que já não são só os portugueses do costume, mas também a classe que vive acima da crise.

Até há pouco tempo, os craques da política falhada que, por qualquer motivo, deixavam de exercer as suas funções, lá iam eles recambiados para lugares principescamente remunerados. Cá dentro, como lá fora.

Assim uma espécie de compensação pelo azar de lhes ter calhado um desaire, nunca por sua culpa, nem da sua responsabilidade. Daí que era de todo o merecimento, um lugarzinho daqueles em que não se faz nada.  

Para os especiais, a Europa era o seu destino. É só ver quantos lá estão. E o trabalho que deixaram cá por fazer. Agora, a coisa está muito mais difícil. Veja-se o caso do Governador do Banco de Portugal. E que caso.

Fez tudo certo, mas saiu-lhe tudo errado. Portanto, simplesmente, uma vítima das circunstâncias. Um homem azarado que reconheceu ter tido necessidade de engolir em seco, para salvar, não percebi bem, a quem.

Na verdade, um candidato bem colocado para trocar de poiso. Mas, por acaso, não havia nada disponível agora. Nem cá dentro, nem lá fora. Assim sendo, foi-lhe pedido o sacrifício de se manter no lugar do seu suplício.

E ele, digo eu, talvez engolindo em seco mais uma vez, lá deu o seu aval a mais esse sacrifício. Aposto que plenamente confiante de que o mesmo homem nunca tem azar duas vezes seguidas. E o país reza para que sim.

Sim, porque os portugueses, esses, não têm a sorte de não ter o azar de levar com dois revezes seguidos. Por azares acumulados, já levam anos consecutivos a carregar com azares alheios. Já é muita falta de sorte.

Mas têm o consolo de que já vai havendo outros azarados. Já não são só e sempre os mesmos. Qualquer dia não mais haverá um único português a coberto dos azares da vida. É que esta triste vida está cada vez mais difícil.