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afonsonunes

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12 Nov, 2014

TIROS A UM EURO

 

O nosso principal feirante em estado de pausa, habituado como está aos tirinhos de pressão de ar nas barracas das feiras, lembrou-se de que há, ou vai haver quem, com taxonas de um euro, mate galinhas que dão ouro.

Ouro que vem do canal que lhe é muito gratificante: a via do ovo. Isto depois do seu galo económico, que se alimenta de cevada germinada, ter descoberto a via do cócó rócócó. Ambos devem dar tiros por esse canal.

O feirante em pausa passa agora uma grande parte da sua vida, de aeroporto em aeroporto e de hotel em hotel, onde lhe fisgam uns euros de cada vez. Uma brutalidade. O que lhe vale é ir comer às misericórdias.

Por acaso, nunca tinha reparado nessa roubalheira que lhe fazem lá fora. Agora porém, está indignado com esta represália que vê fazer cá, a quem o rouba lá fora, mesmo sem o matar. Assim, sem medo, vai continuar a ir.

Tal como ainda ninguém o matou enquanto turista de primeira, nem sequer o assustou, também cá, não se matam turistas com tirinhos de um euro. Mesmo sendo eles muito mais poupadinhos nas suas curtas viagens.

O nosso feirante, turista especial, conhecido pelo seu paternal carinho por quem nunca saiu do seu modesto lar, não tem que se preocupar. Esses aeroportos e hotéis nunca vão taxar os seus pensionistas e velhinhos.  

Taxonas de um euro cobradas a estrangeiros, são muito mais escandalosas que as inofensivas taxinhas de iva’s, irs’s, e toda a espécie de cortezinhos, nos rendimentos dos venturosos nacionais das classes, média e baixa.

Brutais e escandalosos já deixaram de ser os roubos nos salários, reformas e pensões. Muito pior que isso, é agora o que se vai fazer aos lisboetas, que até fazem inveja, em termos de impostos, aos portugueses em geral.

Realmente há muita gente que está com medo que o país siga muitos dos maus exemplos de Lisboa. Mas esses são os que fazem turismo a mais. São os que comem, voam e dormem quase tanto lá fora, como cá dentro.

Daí que estejam agora obcecados com uns euritos que já pagam há muito tempo no estrangeiro. E vão continuar a pagar sem bufar. Assusta-os agora o medo de virem a pagar a primeira taxinha das suas vidas.