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afonsonunes

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20 Jun, 2016

Toca a mexer

 

Vamos a isso que se faz tarde, apesar dos crentes bons estarem convencidos de que o país vai apurar-se para todas as fases decisivas. Seja lá no que for, pois basta o nome de Portugal e dos seus heróis muito mais venerados que qualquer Papa da história da Igreja.

Mas também, apesar dos maus crentes não pararem de mexer a língua, ora no sentido dos ponteiros do relógio, ora no sentido do relógio que já nem ponteiros tem. E é por isso que anda ainda tanta gente sem acertar na pontaria da rota correta da língua.

Está mais que provado que Portugal precisa de ter mais gente a mexer as mãos, os braços, os pés, as pernas, a cabeça e, sobretudo, o que está dentro da cabeça. Mexam as ideias e a vida acabará por ser melhor. Deixem lá essa ideia de que, mesmo perdendo, acabaremos por ganhar.

Sim, na próxima quarta-feira, mas também em todos os jogos de todo o ano e de todos os anos. Isto é extremamente útil para todos aqueles que não se calam com geringonças, com bancarrotas, ‘marceladas’ e ‘costadas’, ou com pesadelos de passos de coelhos ou esganiçadas.

Pensem na vossa estabilidade física e mental e deixem lá as teorias das conspirações orçamentais, os desvarios de todos os bancos e de todas as bancas, dos que neles e nelas se sentaram e dos que, dentro deles e delas ficaram de pé, até caírem exaustos no chão à espera do que sobrasse.

Lembrem-se que o Fernando Santos vai ficar em França para sempre, mesmo só, mesmo mal-acompanhado. Não adianta acreditar que ele fica lá, apenas até ao dia onze de julho. Mesmo que os vinte e três se despachem já na quarta-feira. Santos da casa também têm língua a mais.

É de lembrar também que nem Ferro Rodrigues, nem António Costa, conseguiram demover Fernando Santos da sua terrível convicção. Talvez os afetos e a áurea de Marcelo lhe suavizem as maneiras. Com a tática infalível que utilizou com Luís Montenegro e Passos Coelho.

Marcelo já pôs o país a mexer. Na política ou no futebol, não desiste de ele próprio, se mexer para que os portugueses, todos os portugueses, se mexam dos pés à cabeça. Toca a mexer, toca a fazer mais, falar ainda mais, mas sem parar. E toca a pensar mais, antes de falar demais.