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afonsonunes

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Tradição é uma palavra que está na moda, depois de se terem verificado várias traições em defesa de tradições, nas quais os traidores acabam por se transformar em heróis, em determinados meios com tradições de seita.

Concluo que há muitas afinidades entre estas duas palavras: traição e tradição. Como é fácil de perceber, os tradicionalistas podem assentar as suas traições em princípios que ofendem as mais básicas regras do direito.

Assim, de repente, vem-me à memória aquela tradição de se colocar um galo vivo, preso no cimo de um poste de madeira. Depois, deita-se o fogo ao poste e há quem delire com o desespero do galo preso e assado vivo.

Isto é uma tradição. Pois, é uma tradição dos bárbaros tempos, em que os bárbaros não tinham mais nada com que se divertir, senão com o sacrifício bárbaro de animais pacíficos, vítimas de criminosos tradicionalistas.

As tradições têm tempos de vigência e só têm razão de persistir enquanto não forem abolidas por não se enquadrarem na evolução dos tempos e das leis. Só não percebe isto quem quer continuar a viver na lei da selva.

A esses tradicionalistas que ignoram toda a razoabilidade e legalidade em confronto com a imposição dos seus interesses, há que dizer que as tradições têm de ter cobertura legal e não ferirem direitos incontestados.

A menos que não se importem de ser presos no cimo do poste no lugar do galo. E aguentarem bem firme até que outros tradicionalistas como eles, acendam o lume na base do poste. Pois. A tradição já não é o que era.

Claro que os galos palacianos habituados aos seus altos poleiros, onde nem o calor nem o frio os incomodam, terão sempre que invocar alguma tradição para que os poleiros não sejam substituídos por postes a arder.

Mas, o que não falta por aí ainda, são tradições de bradar aos céus. Que só subsistem porque não há a coragem de as banir de vez. Porque os seus defensores são mesmo, e em si, uma autêntica e bruta barbaridade.