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afonsonunes

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21 Mar, 2015

TRANSMONTANOS

 

Pelos vistos, os portugueses deviam ser tratados pelo nome, seguido do sobrenome indicativo da região de onde são naturais. Por exemplo, o Francisco transmontano, ou a Maria algarvia. Até nem me parecia mal.

E há uma boa razão para tal. Um dia destes ouvi um responsável dizer que era transmontano de Miranda, logo, que não mentia. Ora bem, fiquei logo esclarecido. Um transmontano de Miranda não é igual a um de Vila Real.

Julgo que a maior parte dos portugueses conhece um transmontano de Vila Real que mente com quantos dentes tem na boca. Peço desculpa aos que ainda acreditam nas ‘verdades’ que os trazem tão felizes. Perdão!

Se os transmontanos fossem todos iguais, estávamos perante um fenómeno esquisito. Mas não são. Como nem todas as algarvias são Marias. Em Miranda, e em Vila Real, há quem minta e quem não minta.

Portanto, senhor de Miranda, arranje lá outra maneira de se defender sem meter as regiões ao barulho. Também podia dizer que é filho de gente boa, ou filho de boa gente, que o pagode acreditava mesmo em si.

Já agora, sempre lhe vou dizendo que as gentes do interior do país, os beirões, os alentejanos, os transmontanos, já deram gente importante ao país, ouvindo-se dizer que se tratava de gente séria e descontaminada.

Mas, se olharmos para a realidade, também na dicotomia norte-sul, há essa lengalenga. Os portugueses, do Minho ao Algarve, distinguem-se pelas suas qualidades ou defeitos individuais e não só pelas suas origens.

É evidente que há diferenças, mas também as há para o lado negativo. Há gente que cresceu no rigor da natureza e gente que cresceu no ar condicionado. Mas há, e houve, bons e maus, vindos de todo o país. Também os burros têm as suas diferenças e não são apenas derivadas da região onde sacodem as moscas. Detestam-nas porque picam. Depois, uns sacodem-nas com as orelhas. Outros, mais burros ainda, tentam o coice.