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afonsonunes

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05 Jan, 2019

Treinadores

 

Rui Vitória caiu em desgraça no Benfica depois de perdida a sua habitual simplicidade. Isso aconteceu a partir do momento em que Vieira lhe renovou o contrato.

Até então Rui Vitória teve um discurso simples, sem visões técnicas ou floreados filosóficos. A partir dessa renovação parece ter-se sentido outra pessoa, mais importante, mais qualificada, muito mais confiante nas suas aspirações.

Aconteceu a Rui Vitória o mesmo que aconteceu a Jorge Jesus, que perdeu na Luz, toda a notoriedade que havia conquistado, precisamente no Benfica.

Jorge Jesus é amigo de Vieira, talvez porque ambos sempre tiveram a língua muito maior que tudo aquilo que prometeram e nunca conseguiram realizar.

Vitória sempre se deu bem com Vieira porque aquele adaptou a sua linguagem, até aí modesta, à excessiva ‘cagança’ do presidente. Assim, passaram ambos a ´vender postas de pescada’, mesmo quando a pescada começou a faltar.

Vieira queria agora o regresso de Jesus, mas estava a esquecer que tem uma massa associativa que tem vontade própria e uma visão muito mais realista que a sua visão pessoal e apaixonada.

O jornal a Bola fala agora na possibilidade de Mourinho voltar ao Benfica. Estou admirado como é que a CMTV e o CM ainda não deram como certa a transferência do Sérgio Conceição para a Luz. Que mais não fosse para promover o filho a titular ou, em alternativa, transferi-lo para o FCP.

Já agora, ocorreu-me que os partidos também têm os seus treinadores. Por acaso, apenas por acaso, obviamente, o CDS tem uma treinadora. E que treinadora! Muito semelhante ao Jorge Jesus do Benfica e do Sporting. Ou ao Rui Vitória das antevisões televisivas da véspera dos jogos.

Obviamente que me refiro ao estilo, pois quanto aos conteúdos da linguagem, política ou futebolística, a treinadora do CDS estaria sempre muito mais na mira da comissão de disciplina, com cartolinas amarelas e vermelhas quase diárias.

É verdade que os restantes treinadores desportivos também têm as suas coisitas, incluindo os treinadores da justiça. Estes, que têm jogos que nunca mais acabam. E que não têm árbitro nem VAR, que condenam durante anos e que, quando ´descondenam´, nem sequer pedem desculpa pelos incómodos.