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afonsonunes

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07 Mai, 2015

TRÊS? É POUCO!

 

Costa vai ter uma vida muito difícil, se chegar a primeiro-ministro. Pelo menos no primeiro meio ano. Terá de consensualizar a política externa de negócios com Cavaco Silva, que vai exigir entrar na sua orientação.

Será muito difícil saber quem tem de se calar, quando o presidente e o chefe do governo não estiverem de acordo. Por exemplo, compra-se mais ou menos bacalhau à Noruega ou vende-se mais ou menos fruta à Europa.

E isto ainda não é nada se houver um vice primeiro-ministro ambulante a vender o país a retalho e um Ministro dos Negócios Estrangeiros a cometer mais ou menos inconfidências. Isto é, três a vender e comprar.

É natural que surja aquela saudável competição entre os três negociadores, para ver qual deles desempenha melhor a sua função. Assim, fico na espectativa de que Costa ande por ali, como Passos Coelho.

Acredito que não vão criar prémios de desempenho, senão Costa tem toda a razão para também querer a sua percentagem nos lucros, que mais não seja pelo trabalho de ter de avaliar o desempenho dos outros três.

Mas há ainda mais uma dificuldade para Costa e essa começa logo com a formação do governo. Terá de arranjar três pessoas com genica para o negócio: o candidato a PR, o vice PM e o MNE. Ou seja, três de bom visual.

Depois, para lhe complicar ainda mais a vida, terá de atender à necessidade demonstrada por Cavaco Silva na Noruega, mais uma, de criar o Ministério do Mar. Se tal não fosse satisfeito, Cavaco sairia muito triste.

Depois, há aquela velha tradição socialista de colocar a cultura no seu devido lugar. E essa é para ministério, com todo o gosto. Também não podia ser tudo contra Costa. No resto, ele ainda não pensou, mas lá irá.

E lá irá, depois de ver e rever se há alguma coisa que possa aproveitar do que fica de Coelho. Pouco, muito pouco, quase nada. Mais uma tarefa difícil. Vai ter ainda o trabalho de escovar o pelo que fica em S. Bento.