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afonsonunes

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27 Jul, 2015

TRÊS JARDINS

 

Juntaram-se os três, não à esquina, mas no Chão da Lagoa do outro jardim que é a ilha da Madeira. Com todos juntos, estavam reunidas todas as condições para a celebração de jogos florais, mais florais que o costume.

Alberto, Miguel e Pedro, juntos, como nunca o haviam estado. Alberto, agora só ouvinte, deve ter tremelicado muito ao ouvir Miguel e Pedro tentando superá-lo mas, muito longe de lhe chegarem aos calcanhares.

Até na poncha se notou a diferença entre eles. Em lugar do orgulho de outrora, a humildade de hoje. Talvez a poncha que dantes dava a genica da exigência de votos, dê agora lugar à moleza da humildade de os pedir.

Assim, os votantes devem agora ter muito orgulho de dar votos a quem humildemente diz que os merece mais que ninguém. Até já ouvi dizer que Pedro anda triste. Que já só conduz em contramão. Ou em marcha atrás.

Outros contrapõem que Pedro só se tornou tão humilde, porque caiu na insanidade. Agora, já deixou o slogan de que Portugal não é a Grécia. Mas descobriu uma pequena nuance para manter a ideia. É a humildade, claro.

Diz agora que Portugal, só não é a Grécia, porque ele, Pedro, o humilde e ao mesmo tempo o insano, evitou que tal acontecesse. Mais uma ideia genial, das muitas que vai tendo agora. Se é que não as roubou ao Paulo.

Três Jardins à beira mar plantados. Inebriados com a suavidade do sol da Madeira e com pujança e o calor da irresistível poncha. Três Jardins que vão dando aso à ideia de que Portugal está a ficar mais perto da Grécia.

E, se assim for, os três Jardins correm o risco de acabar em jardineiros. Que, com a crise, é natural que sejam poucos para a regular limpeza da ilha jardim. Em último recurso, que venham limpar para o continente.

A justificar essa ideia é ver como os portugueses estão a ficar cada vez mais gregos. É verdade que não comem TGV’s, até porque dos cinco, até o único se sumiu. Mas já só come coelho de contramão nas autoestradas.  

Triste Coelho e triste destino, o deste país. Realmente, com ele, chegou a este ponto em que não se comem autoestradas. Pois nelas, já só circulam os bólides do sorteio que levam o dinheiro que devia comprar comida.

Pelo contrário, são os que já comem muito pouco, que têm de alimentar uma coelheira palaciana repleta de orelhudos insaciáveis, que sobe quando devia descer, e desce quando devia subir. Sempre em contramão.