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afonsonunes

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27 Abr, 2015

TU SEM MIM...

 

Estamos condenados a viver juntos, embora tenhamos uns caprichos que por vezes nos estragam a disposição. Mas, como diz o povo deles, é mais o que nos une, que aquilo que nos separa. E eu preciso de ti, tu sabes.

Mas, se eu preciso de ti, ambos sabemos que tu sem mim não és ninguém. Quase ia dizer que sou uma espécie de pai para ti. Mas não quero que digas para ir chamar filho a outro. Vá lá, sou o teu bom irmão mais velho.

Isto, em termos de conveniência de ambos, é uma questão de justiça. Tu e eu, unidos, somos inatacáveis, mesmo nos pontos mais fracos que ambos temos. É justo que fiquemos juntos. Antes que a justiça nos separe.

Diz-se por aí que resolvemos dar o nó. Há tantas maneiras de o dar. O nosso casamento não é um ato de amor. Todos sabemos que há uniões entre gente, que até nutre algum ódio recíproco. Mas a justiça casa-os.

No nosso caso, há um ódio zinho de estimação que até serve para alimentar as defesas das nossas situações periclitantes. Seria uma injustiça entregar o ouro ao bandido pois a nossa ourivesaria jamais será assaltada.

Há quem tenha proteção divina para que nada lhe aconteça. Nós, enquanto estivermos juntos, temos a melhor das proteções. Que é a bênção de escolher e ter os melhores e mais fortes seguranças do mundo.

O nosso casamento não se destina a resolver os problemas da natalidade no país. Nem tão pouco vamos andar por aí aos beijinhos e aos abraços para mostrar que somos mais felizes que ninguém. Só de mãos dadas.

Isto, no pouco tempo que vamos estar fisicamente unidos. Tu adoras hotéis e países exóticos. Eu sou caseirinho. Mas hoje, isso não é problema. Temos o Skype para nos contemplarmos nos poucos momentos livres.

A nossa relação nunca será de olho um no outro. Isso é para quem é obsessivo ou ciumento. O nosso negócio é que confiem em nós, que nós desconfiaremos de todos. Menos de nós próprios. Admitimos exceções.

Entre nós, tudo será revogável para que tudo seja resolúvel. E se acaso houver quem tente meter-se connosco, eu terei o padrinho e tu terás a madrinha. Vês? A nossa união tem tudo, mas mesmo tudo, controlado.