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afonsonunes

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11 Abr, 2015

UM BADANAL

 

Vi uma boa parte dos episódios da série televisiva brasileira ‘Pantanal’. Já nem sei há quanto tempo isso foi, mas foi há muitos anos. Não sei porquê, mas toda aquela natureza bruta me tocou cá dentro direi mesmo até hoje.

Ainda me lembro da Juma, aquela moça que era uma força de mulher no meio da selva e dos pântanos. Ainda lembro homens, feras, cobras e bois. Tudo em grande. Mundo terrível, aquele, onde a hostilidade dominava.

Um dia, muito mais tarde, fiz uma certa confusão entre pantanal e badanal. Mas, logo vi, que eram palavras muito diferentes. Que não tinham nada a ver uma com a outra. Por pouco tempo. Bastou pensar.

Afinal, a diferença estava entre, pantanal, o pântano e o badanal, a confusão. A diferença não é assim tão evidente entre um pântano e uma confusão. Entre um pantanal e um badanal. Isto deu-me volta ao miolo.

Daí a começar a pensar no pântano e na confusão que via no país, foi obra de pouco tempo. Aí começou uma longa história em que o meu tino voava entre anjinhos e vigaristas. Entre gente simples e serpentes devoradoras.

A verdade é que o mundo, mas especialmente o país, se transformaram tanto, quanto se podia comparar um campo semeado de trigo pronto a ceifar, e esse mesmo campo depois de ali ser travada uma batalha campal.

Muita paz e muita guerra se debateram no meu espírito durante anos e anos. Comparei tempos idos e tempos de então, em contexto de épocas diferentes, atitudes e comportamentos de pessoas e as suas evoluções.

Um dia encontrei uma quadra no meio de muitos papéis. Não sei quem a escreveu, nem a que propósito a escreveu. Ao lê-la, senti-me perdido na selva. Com o espírito envolto numa enorme confusão. Num badanal.

Já vi um dito poeta

No sítio do sabugal

Usar conversa da treta

Para ter um badanal