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afonsonunes

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18 Out, 2014

VAI DESEJAR SACO?

 

Apetece-me dizer para quê, se não tenho viola para meter nele. Mas havia tanta coisa que podia lá meter, se o dito não estivesse à beira de se tornar incomportável pelo preço. No entanto, se pudesse lá meter alguém, era já.

A começar pelos violadores e violadoras do desgoverno que nos saiu na rifa, já lá vão três anos e meio. É muito tempo e já foram feitas violações que davam para redimir a justiça e a educação, se elas não existissem.

O saco dos portugueses já está cheio. Mas não desejam outro saco. Os velhos, os de mais de cinquenta, estão fartos de ser violados. Nos seus direitos, pelos tortos que os torturam. Velho já não tem direito, dirão eles.

Os novos, os de menos de cinquenta, não precisam de saco. Não têm nada para lá meter. Ainda não foram violados porque são muito novos. É como se não existissem. Mas logo que cheguem a velhos, não escapam mesmo.

O país está a falar muito do que se tem, ou não se pode ter, antes dos cinquenta, ou depois dos cinquenta. Antes, pode ter-se desejos mas não é permitido concretizá-los. Depois, é proibido pensar nisso e nessas coisas.

Parece que há juízes que sabem o que lhes falta e sabem o que têm a mais. Desejando ou não o que lhes falta. Antes e depois dos cinquenta. Mas cometem o erro de sentenciar violados pelo que eles próprios têm.

Desde que temos um banco novo e bom, e um banco velho e mau, o país está dividido assim. Gente nova e boa, e gente velha e má. A primeira, não vive, pois ainda tem muito tempo para viver. A segunda, já viveu de mais.

Pois, eu sei. Quem não estiver bem que se mude. Pois, mas é mais fácil que sejam os que estão bem, a mudar-se. São muito menos. Podem fazer o que aconselharam a muitos milhares. Pois, pois, vai desejar saco?