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afonsonunes

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11 Dez, 2017

Ventos e cataventos


O vento vai mudando e o catavento vai rodando, mas se o vento se vai, o catavento deixa de catar o dito, pois não se pode rodar, sem o sopro indispensável ao movimento.

Portugal tem movimentos levados da breca. Tem um ventinho prestes a extinguir-se, quase, quase, um ar que lhe deu, que tinha o seu catavento. Que por sinal até nem gostava muito dele.

Obviamente que o catavento também não morria de amores pelo seu vento. Ventos e cataventos de outros tempos, ambos da família das ventanias, estão hoje com relações bem distantes.

Hoje já não é o vento que move o catavento. Este tem hoje o dom de mover muita coisa e muita gente, sem que tenha de haver alguém que lhe sopre a energia de que ele não precisa mesmo.

Hoje, o catavento de outrora tem mais semelhanças com o vento que faz mover tudo à sua volta. Fala, canta, ri, dança, sem ligar a todos aqueles que lhe reservavam um lugar na inatividade.

Vento que, devido à sua energia transbordante, está em todo o lado, porque vai a tudo quanto é sítio. Para gozo ou satisfação de quem o vê, ele beija e abraça quem esteja no seu caminho.

Vento que alimenta toda aquela gente que tem necessidade de propalar novas, para olhos e ouvidos sedentos de curiosidades, ainda que fora das fontes mais saudáveis para muitos incrédulos.

Sobretudo dos que não creem em espetáculos de democracia ao vivo, ou cantada, para encantar. Ou para sobrepor o espetáculo, à democracia real dos que a podem e devem colocar em prática.

Se o vento se agiganta e vira tempestade, ou mesmo ciclone nacional, lá se vai o folclore e o normal rodopiar do catavento. Nem as mais previsíveis mudanças de vento, fazem felizes cataventos.