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afonsonunes

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09 Out, 2014

VEREMOS

 

Ouvi hoje uma das coisas mais bonitas da nossa democracia, precisamente, quando tudo tem cheirado a coisas feias. E essa coisa é, ‘a manifestação de uma convergência de vontades’. Coisa sincera, espero eu.

Trata-se, naturalmente, do encontro de amanhã, em Belém, entre António Costa e Cavaco Silva. A aludida convergência, para já, refere-se apenas ao desejo de ambos se encontrarem. Quem se manifestou primeiro, não sei.

Mas sei que nestas circunstâncias especiais costumo ter uns lampejos de adivinhação que poucos costumam ter. Está-me na massa do sangue e só quem conseguir sugar-mo, ficará definitivamente com dom igual ao meu.

Costa manifesta a sua vontade de dizer a Cavaco que está na hora de acabar com este tempo levado da breca, com chuvadas de dúvidas, raios e coriscos que dão trovoadas de rachar e inundações que chegam a Belém.

Cavaco manifesta a sua vontade patriótica de dizer a Costa que deve ser tão sossegadinho como Seguro e mais poupadinho do que Sócrates. Para demonstrar essa vontade, lembrou o que sempre disse: olhem para mim.

Costa lembra os tempos do início da crise, em que todos os notáveis políticos portugueses, exigiam apoios e trabalho, para que nada faltasse às criancinhas e aos idosos. E acrescenta, lembra-se, senhor presidente?

Cavaco diz que é a única coisa da sua vida de que não se lembra, mas lembra-se perfeitamente de xingar Sócrates. Mas já esqueceu porquê. E promete a Costa que não o xingará. Sabe que pode vir a ficar pior que ele.

Costa pede a Cavaco que nunca se esqueça de Sócrates. Só assim, Costa sabe que terá o apoio popular que já está a ter. E agradece-lhe que todos os seus companheiros façam o mesmo: que o comparem a Sócrates.

Cavaco, como bom anfitrião, agradece a Costa a sua disponibilidade para convergir em matéria de vontades. Costa também agradece a sua convergência. Que, mais tarde, até pode vir a convergir com a de Sócrates.