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afonsonunes

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18 Mai, 2015

VERMELHIDÃO

 

Há pessoas que sofrem uma afronta tremenda quando lhes aparece qualquer coisa na frente que apresente um tom mais ou menos vermelho. Digo mais ou menos, porque até o encarnado ou o cor-de-rosa os assusta.

Para tais pessoas, basta que essas cores sejam associadas a outras pessoas, para que caldo esteja entornado. Suponhamos que há um assalto a qualquer lugar de relevo, de onde se roubaram valores muito elevados.

Suponhamos ainda que a investigação concluía que um dos assaltantes vestia calças vermelhas e o outro vestia calças amarelas. Já agora, o investigador trajava calças alaranjadas. Vamos lá ver a resolução do caso.

O homem de vermelho foi de imediato conduzido à cadeia onde ficou retido. O homem de amarelo foi mandado para casa. O investigador entendeu que o primeiro roubou, enquanto o segundo foi só assistente.    

Entretanto, ficou a constar dos autos que o de vermelho, além de ladrão, foi também insultuoso, ao olhar de esguelha para o investigador. Crime de muita gravidade que justificou a sua detenção na prisão até nova ordem.

Claro que tudo isto é muito mais grave que aquele incidente de Guimarães. O homem, com duas crianças, foi acusado pelo polícia de lhe ter cuspido na cara. O homem nega, e as crianças desatam a chorar.

O polícia, olha para eles e começa a desancar violentamente o homem depois de caído no chão. O polícia entendeu que tinha competência para julgar e condenar o homem com toda a brutalidade. Coisas de um bruto.  

Mas houve com certeza um motivo para o bruto agir daquela maneira. As crianças estavam vestidas de vermelho. Se calhar o homem, também. Mas, se não estava, era ele o único responsável pelas vestes das crianças.

Esta história até é capaz de estar mal contada. Mas que o vermelho cega muita gente, não tenho dúvidas. Agora, também admito que não gosto de quem detesta o vermelho. Não gostar, não é detestar. Cegar é um perigo.

Já tenho deparado com pessoas que, ao falar-lhes do tempo, vêm-me logo com Mário Soares. Se falo de futebol vêm-me logo com Sócrates. Não compreendo que nunca me venham com Cavaco, Passos ou Portas. Chiça!

Compreendo que há doenças complicadas, senão mesmo incuráveis. E, nesses casos, a minha compreensão e paciência não devem ter limites. E é assim que eu encaro as coisas. Mas estas doenças das cores são terríveis.

Parece-me mesmo que a vermelhidão é uma doença, não assim tão rara, que não deva merecer a devida atenção. É até é uma pena que não conste do Plano Nacional de Saúde. O país viveria melhor e os tugas mais felizes.