Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

17 Jan, 2021

Vou botar

Já há quem tenha votado hoje e eu só não o fiz com receio de que correria os mesmos riscos que me esperam no próximo domingo dia 24. Pelo que já li nas notícias de hoje terá havido filas intermináveis segundo alguns jornalistas, enquanto para outros tudo decorreu dentro da maior normalidade.
Habituado que já estou a esta diversidade informativa resolvi que hoje, simplesmente, viria aqui botar umas tantas coisas que já não incomodam quase ninguém mas que a mim ainda tocam cá nuns cantinhos da minha maneira de ser e de ver as coisas. São coisas que não são o que parecem ou serão coisas que parecem o que não são.
Começo por constatar como se mistura a divulgação de um voto depositado hoje antecipadamente na urna e logo de seguida mostrado o respetivo boletim no Twitter. Parece que tal procedimento deve dar aso a prisão ou multa pela divulgação. Melhor, parece que devia dar aso a qualquer coisita. Ou a lei não é para cumprir no que toca a alguns cidadãos especialíssimos.
Porém, a coisa mete uma candidata presidencial que já agradeceu publicamente o apoio à sua candidatura, através desse voto irregularmente divulgado. Trata-se de uma situação complicada, pois não há como não ver a cumplicidade existente entre a candidata e o provável criminoso informático. Obviamente, Ana Gomes e Rui Pinto.
Como não é difícil verificar as reações entre jornalistas, comentadores, leitores e opinião pública em geral, que geram discussões entre os que acham que tudo está bem e os que entendem que tudo está mal. Até parece que tudo se resume a uma guerra entre azuis e vermelhos. Ou até a uma verdadeira batalha entre nortistas e sulistas. Guerra ou batalha gerada e sustentada por dois nortistas azuis contra o inimigo vermelho sulista.
Mudo de coisa para outra coisa que me parece esquisita. A justiça anda há muitos anos a confessar que não tem meios ou não consegue acabar com as fugas ao segredo de justiça. Que não conseguiu, é uma evidência. Mas agora uma Procuradora do Ministério Público descobriu um método eficaz e já são conhecidos dois prevaricadores nessa matéria.
O facto devia ser festejado pela justiça e pelos jornalistas. Em todas as atividades há sãs e podres maçãs. A sociedade está cheia de corruptos e criminosos. Toda a gente clama por justiça e que ela seja cega. Mas há uma coisa chamada corporativismo que não abre mão de determinados chavões.
Caímos na triste situação de que há criminosos bons e criminosos maus. Há corruptos bons e corruptos maus. Isso já está mais que visto, na política, no futebol, na justiça, nos governos nas oposições. Há os que escapam e os são fisgados. Mas não devia haver exceções fundamentalistas, corporativistas ou oportunistas.
Mais uma mudança neste bota coisas cá para fora. A campanha presidencial está ao rubro, até porque de presidencial tem pouco mas tem que chegue e sobra de legislativas. Todos os candidatos se julgam na pele de um chefe de governo, prometendo entrar entrar em tudo, quais valentões a solucionar tudo e mais alguma coisa. Mas todos, esquecem os problemas complicados, mesmo escaldantes, que um presidente ativo e independente, corajoso e imparcial já teria solucionado há muitos anos. E que, venha lá quem vier, continuará a ignorar.
Que venha de lá um presidente que se lixe perante regionalismos doentios, corporativismos bacocos, populismos de conveniência e que não receie cair em desgraça junto de todos os que têm beneficiado desses venenos que vão dando cabo de uma sociedade verdadeiramente livre, democrática, justa e pacífica.
Foi por isso que eu botei isto aqui e vou votar no próximo dia 24.